Sobre crianças que “não comem”: quando esse problema começa a surgir? E quais são as principais causas e o tratamento?
   Geralmente, as crianças começam a apresentar diferenças no apetite próximas a completarem 2 anos. Sua demanda nutricional diminui e o apetite, consequentemente, diminui. Porém, o distúrbio pode atrapalhar a vida de bebês e de crianças mais velhas também. As causas podem ser muitas, como causas orgânicas (por patologia), dietéticas (por conta da refeição em si, quando a comida não é adequada ou gostosa para a criança) ou comportamentais (por conta da dinâmica familiar e da casa). O tratamento é sanar as questões orgânicas, e muita educação alimentar para a criança e a família. Utilização de suplementos alimentares podem ser úteis durante o processo crítico de educação alimentar, para que a criança não tenha prejuízo em seu crescimento ou desenvolvimento. Mas tal medida precisa ser realizada com orientação de nutricionista ou pediatra.
   Qual a parcela de responsabilidade dos pais ou cuidadores no surgimento de distúrbios alimentares de crianças pequenas?
   As dificuldades alimentares podem aparecer por problemas orgânicos, como uma anemia, uma disfagia, um refluxo, uma virose, ou por questões comportamentais. Ou pode começar com uma questão orgânica, e se transformar em um distúrbio devido ao comportamento dos pais nesse momento. A dificuldade alimentar acontece em muitas casas, a resposta dos pais ou cuidadores a essa questão pode ajudar perdurar ou não o problema. A dificuldade alimentar é um processo de duas mãos, que é a resposta dos pais/cuidadores às necessidades alimentares daquela criança (não só nutricionais, mas alimentares mesmo). Portanto, de certa forma, os pais são responsáveis por auxiliarem os filhos a terem um “relacionamento” mais saudável e prazeroso com a alimentação.
   Quais são os principais erros que pais e cuidadores cometem?
  O principal erro é o mais difícil de combater, que é a ansiedade materna ou da família/cuidadores. A criança sente e fica mais difícil ficar à vontade para comer. Outro erro comum é que os pais querem decidir o quanto os filhos comem. Eles devem decidir como servir, o que servir, mas a quantidade fica com a criança. Dá insegurança achar que o filho come “pouco”. Aí a ansiedade ou o autoritarismo (forçar a comer) podem destruir esse pouco apetite que a criança teria. Outro erro comum e simples de evitar é alimentar a criança sem hora certa, deixando-a à vontade para comer quando quiser. Uma rotina com horários estruturados auxilia no processo, já que trabalhamos com a fome ao nosso favor, o fator decisivo para as crianças com dificuldade alimentar.
   O que você recomenda para que a hora da refeição seja mais tranquila e para que os filhos sejam menos seletivos?
   Primeira coisa é ser o exemplo. Não adianta querer que o filho coma espinafre, se você os pais ou cuidadores não comerem. Comentar positivamente sobre o que tem na mesa, como por exemplo,”que delícia de espinafre”. Comentários positivos ajudam a criança entender que outras pessoas gostam de espinafre, espinafre pode ser bom, deixa os pais satisfeitos, daí a criança pode querer provar o espinafre ou não. Mas o reforço positivo foi feito.
   Servir sempre os alimentos que a criança não aceita, mesmo diante da recusa. Crianças são imprevisíveis, e de repente adoram o que nem queriam provar. Estudos comprovam que é necessário oferecer o mesmo alimento 8, 12 vezes para ver se a criança gosta.
   Organizar os horários das refeições e não servir absolutamente nada entre elas, apenas água. Assim, a criança chega a na mesa com fome, mais propensa a comer o que for oferecido.
   Durante a refeição, nada de coisas que a distraiam, como a tv ligada, tablets, computadores, ou mil e uma estripulias. A refeição tem que ser um momento prazeroso e calmo. A atenção da criança precisa estar na refeição (essa é difícil, mas é muito importante).
Limitar o tempo que a refeição dura. Se não comeu nessa refeição, só na próxima deve ser alimentado.    Fazer isso com tranquilidade, uma criança não ficará doente se pular uma ou duas refeições.
Tolerar a bagunça para a idade é importante. Limpar a criança a cada minuto pode deixá-la irritada, e não estimula todos os sentidos da criança. Deixar a criança pequena eventualmente se alimentar com as mãos estimula outros sentidos, como o paladar, o olfato, e dá mais prazer a alimentação.
   Incentivar a criança a se alimentar sozinha, dando- lhe autonomia, e portanto confiança no processo de se alimentar.
   E principalmente, se manter neutro durante as refeições da criança. Nem parabenizar demais, nem ficar irritado com a criança.
   Essas são atitudes responsivas, e a curto e a longo prazo, auxiliam as crianças a passarem por essa fase de dificuldade alimentar. Porém, uma educação alimentar orientada quase sempre é necessária. O nutricionista pode auxiliar colocando, passo a passo, o que a família precisa fazer, de acordo com sua realidade, suas expectativas, sua cultura e sua rotina. Essa orientação dá segurança para os pais seguirem em frente.

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