Injeções de insulina   Baixas escolaridade e renda estão entre as principais causas da falta de adesão Menos de 20% dos brasileiros com diabetes tipo 1 fazem o tratamento de maneira adequada. A classe social do paciente é o primeiro fator determinante para o sucesso da terapia: quanto menor a renda, menor a adesão. O dado alarmante é resultado de um levantamento multicêntrico apresentado nesta quarta-feira durante o 30º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, que acontece até o próximo sábado em Goiânia.
   De acordo com Marilia de Brito Gomes, endocrinologista coordenadora do estudo, o problema do controle do diabetes tipo 1 tem relação direta com o nível de escolaridade do paciente — que geralmente está vinculado à sua classe social. “Descobrimos que, infelizmente, quanto mais pobre é a pessoa, menos ela consegue entender a complexidade da doença”, diz. Como resultado, o paciente não faz o tratamento de maneira adequada ou não adere por completo a ele.

Pesquisa — Participaram do estudo 3.591 voluntários de todas as regiões do país. Todos faziam o tratamento para diabetes tipo 1 pelo Sistema Único de Saúde – o Ministério da Saúde é responsável por financiar 85% do total de tratamentos para a doença. Descobriu-se que 70% dos pacientes estão em níveis sociais baixos ou muito baixos. “Entre eles, há um contingente importante de analfabetos funcionais, pessoas que não entendem a prescrição”, diz Marilia.
     De acordo com a especialista, a pesquisa pode ser vista como um sinal de alerta para a classe médica. “É preciso entender porque o tratamento não está dando certo.” O questionamento se torna ainda mais importante com o crescente número de pessoas que sofrem da doença. Estudo recente feito na cidade de Bauru, interior de São Paulo, por exemplo, aponta que em apenas 20 anos o número de pessoas com diabetes tipo 1 cresceu mais de nove vezes na cidade. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados no início deste ano, 5,6% dos brasileiros sofrem de diabetes. O índice era de 5,2% em 2006.


Custos — O Brasil gasta anualmente, em média, 725,92 reais com saúde por habitante. Segundo o levantamento, somente o tratamento do diabetes custa aos cofres públicos 3.363 reais por ano por paciente. “Em regiões onde esse tratamento tem mais complexidade, como no Sudeste, os custos podem ser mais elevados”, diz Marília.
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