“Os raios solares são a principal causa de câncer de pele no mundo”, assegura Dolival Lobão Veras Filho, chefe da seção de dermatologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca). “No Brasil, ele é muito incidente: corresponde a 25% de todos os tumores”, diz. A alta proporção pode estar relacionada à crença de que, antes das 10h se pode tomar sol à vontade. “No nosso país, não é raro encontrar já antes desse horário uma incidência elevadíssima de raios solares”, avisa Marcelo de Paula Corrêa, meteorologista e coordenador de mestrado em meio ambiente e recursos hídricos da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais. Via de regra, não existe horário ou local no Brasil em que dá para deixar o organismo completamente à mercê do sol.

Para Rafael Schmerling, oncologista do Hospital São José, em São Paulo “o conceito moderno de fotoproteção vai muito além de usar o protetor solar adequado”. Ele engloba, por exemplo, a busca por guarda-sóis e sombrinhas de qualidade, capazes de refletir devidamente a energia vinda do sol; a tentativa de, em dias com céu azul, percorrer trajetos na sombra; o uso de roupas com fator de proteção solar, que impedem a passagem da maioria da radiação ultravioleta. A indústria também começa a oferecer comprimidos que, ao serem engolidos, aumentam a resistência contra os danos ocasionados pelo sol.
Acima de tudo, o conceito de fotoproteção envolve autoconhecimento. “Cada tipo de pele demanda cuidados específicos, que ainda variam de acordo com mudanças climáticas”, garante Sérgio Schalka, coordenador do Departamento de Fotobiologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Pessoas branquinhas e que queimam facilmente devem, claro, ter uma relação diferente com o sol em comparação com as de pele mais escura. Nada melhor do que conversar com um dermatologista para respeitar suas características e conviver sem medo com os raios luminosos.